Importações incentivam consumo interno, mas ameaçam indústria nacional
Dados da pesquisa industrial do IBGE de junho mostram que a indústria vem sofrendo apesar do bom momento relativo do mercado interno. O motivo, segundo Carlos Mussi, economista do CEPAL (Comissão Econômica Para América Latina), é a manutenção da renda dos brasileiros e a concorrência forte dos importados.
O impacto da renda
Desde o início da crise, há pouco menos de um ano, a renda média do brasileiro quase não caiu. Com isso, as famílias podem manter a rotina e continuar a comprar produtos de baixo valor.
“Bens de consumo não duráveis em geral, onde se inclui a moda, têm tido um bom desempenho neste ano, assim como aqueles setores que receberam estímulo do governo”. Dentre estes, destacam-se automóveis e eletrodomésticos.
O impacto dos importados
A entrada massiva de produtos prontos do exterior, muitos destes usando o estável mercado interno brasileiro como alternativa para compensar vendas ruins nos seus destinos tradicionais, turbinou a concorrência na área de bens de consumo e possibilitou que o setor andasse na contramão da crise durante junho.
Por outro lado, esta invasão de importados é uma ameaça séria à indústria nacional. “Para conter, o governo poderia aplicar medidas anti-dumping e salvaguardas para segurar as importações. Mas, este tipo de coisa tem impacto pontual, no longo prazo salvaguardas não definem onde um bem será fabricado”, explica Mussi.
Veja na tabela de produção industrial que o desempenho da indústria da moda está pior do que no mesmo período do ano anterior. Destaque negativo para a categoria “Calçados e artigos de couro”, que está produzindo 60% menos do que a média de 2002.
Produção industrial de moda
Dados da pesquisa industrial do IBGE de junho mostram que a indústria vem sofrendo apesar do bom momento relativo do mercado interno. O motivo, segundo Carlos Mussi, economista do CEPAL (Comissão Econômica Para América Latina), é a manutenção da renda dos brasileiros e a concorrência forte dos importados.
O impacto da renda
Desde o início da crise, há pouco menos de um ano, a renda média do brasileiro quase não caiu. Com isso, as famílias podem manter a rotina e continuar a comprar produtos de baixo valor.
“Bens de consumo não duráveis em geral, onde se inclui a moda, têm tido um bom desempenho neste ano, assim como aqueles setores que receberam estímulo do governo”. Dentre estes, destacam-se automóveis e eletrodomésticos.
O impacto dos importados
A entrada massiva de produtos prontos do exterior, muitos destes usando o estável mercado interno brasileiro como alternativa para compensar vendas ruins nos seus destinos tradicionais, turbinou a concorrência na área de bens de consumo e possibilitou que o setor andasse na contramão da crise durante junho.
Por outro lado, esta invasão de importados é uma ameaça séria à indústria nacional. “Para conter, o governo poderia aplicar medidas anti-dumping e salvaguardas para segurar as importações. Mas, este tipo de coisa tem impacto pontual, no longo prazo salvaguardas não definem onde um bem será fabricado”, explica Mussi.
Veja na tabela de produção industrial que o desempenho da indústria da moda está pior do que no mesmo período do ano anterior. Destaque negativo para a categoria “Calçados e artigos de couro”, que está produzindo 60% menos do que a média de 2002.
Produção industrial de moda
| | Junho 2009 | Junho 2008 | Diferença |
| Têxtil | 98,34 | 109,02 | -9,8% |
| Vestuário e acessórios | 80,59 | 87,45 | -7,8% |
| Calçados e artigos de couro | 59,18% | 78,83 | -24,3% |
| Indústria geral | 115,35 | 129,04 | -10,6% |
* dados do IBGE, indicador sobre base fixa (média de 2002 =100)
Nesta outra tabela, com dados da Secretaria de Comércio Exterior, fica clara a tendência de crescimento na importação de produtos de moda. Destaque negativo para confecções, cujas exportações caíram 35,71% e importações subiram 17,69%.
Ou seja, além de perder participação no mercado externo, a indústria de moda brasileira perdeu espaço no seu mercado interno.
Balanço comercial de moda
Nesta outra tabela, com dados da Secretaria de Comércio Exterior, fica clara a tendência de crescimento na importação de produtos de moda. Destaque negativo para confecções, cujas exportações caíram 35,71% e importações subiram 17,69%.
Ou seja, além de perder participação no mercado externo, a indústria de moda brasileira perdeu espaço no seu mercado interno.
Balanço comercial de moda
| | Exportações FOB US$ milhões | Importações FOB US$ milhões | ||
| | Janeiro e julho de 2009 | Janeiro e julho de 2008 | Janeiro e julho de 2009 | Janeiro e julho de 2008 |
| Calçados * | 815,8 | 1.144,2 | 176,2 | 175,9 |
| Joias ** | 888,8 | 888,2 | 1.506,7 | 1.869,1 |
| Fios, tecidos e confecções (Total) * | 960,2 | 1.252,1 | 1.833,9 | 2.233,6 |
| Apenas confecções * | 214, 3 | 333,3 | 562,8 | 478,3 |
* dados do MDIC captados por Abicalçados e Abit
** dados do MDIC (NCM 71, joias)
Fonte: http://www.usefashion.com/
Imagem: vitrine da Carmim, em São Paulo (SP).
** dados do MDIC (NCM 71, joias)
Fonte: http://www.usefashion.com/
Imagem: vitrine da Carmim, em São Paulo (SP).





